sexta-feira, 23 de março de 2012

E deu Ecos: O cálice de Chico Buarque à Criolo Doido


Apesar de sofrido, um dos períodos que mais me fascinam musicalmente foi o da ditadura. Chega a ser impressionante as produções culturais que surgiram mesmo com as imposições da ditadura. Um dos grandes filósofos deste período foi com certeza Chico Buarque; e uma de suas grandes obras com certeza foi a música "Cálice". De dupla conotação, agiu como um tapa aos ouvidos da ditadura, motivo o qual foi totalmente proibida sua veiculação. Em um tempo de muito ostracismo musical, a nostalgia nos pega de surpresa na busca em tempos modernos, de coisas que consigam dar vazão ao nosso jeito de filosofar a própria vida. Em uma sociedade brasileira onde a preocupante insistência de rotinas do "Pão e Circo" se fazem tão fortes, é necessário que retornem os gritos de alerta através da cultura e arte para que o cálice social não prolifere ainda mais. Abaixo Criolo Doido e Chico com seus cálice ou cale-se.




Calice
Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça
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A música pulsa como um Eco, estes sons meus amigos são os nossos teleco tecos que vibrantes pulsam igual nossos corações, valeu o comentário!!