segunda-feira, 13 de março de 2017

Quando o menos é muito, muito mais: terra batida e boa energia fazem um samba espetacular

Entre 1930 e 1970, o desfile das escolas de samba tinha dois atos: a apresentação do samba enredo e de versos improvisados conhecidos como sambas de terreiro.
Esse nome se deve ao fato de que os versos eram compostos nos espaços de terra batida que depois vieram a se transformar nas quadras que hoje conhecemos.
Após a mudança para tocar somente o samba enredo durante todo o desfile, as escolas mantém a tradição de cantar e tocar esses sambas de terreiros nas quadras durante o ano todo, como uma marca da escola, como um grito de guerra.

E para nossa sorte, essa maravilha saiu das quadras e tem conquistado os quintais por aí afora.
Você pode estar se perguntando: Quintal? Não escrevi errado não. É isso mesmo.
Tive o prazer de conhecer nesse sábado, o famoso Quintal do Portuga na cidade de Limeira-SP.
O simpático Sr. Portuga abre as portas da casa dele, ou melhor, o quintal da casa para receber centenas de pessoas para prestigiar um dos melhores sambas de terreiro.
Chão de terra batido, duas ou três árvores para garantir a sombra e pronto: o local perfeito para o samba acontecer.
Nos muros, painéis com grandes nomes do samba: Cartola, João Nogueira, Moacyr Luz, Martinho da Vila, Osvaldinho da Cuíca e por aí vai.
Nas mesas espalhadas pelo quintal toalhinhas xadrez dão um charme todo especial no ambiente.
Culinária de boteco: pastel, cuscuz, amendoim a disposição. A cerveja geladinha ou a caipirinha de limão a gosto do freguês.

Nessa tarde de sábado, São Jorge bem no centro da roda dá as boas vindas aos amigos. Serginho e Buzinga são os anfitriões do Quintal. Junto com uma turma de dez músicos eles fazem o samba acontecer. A amizade e o talento dos músicos é algo que impressiona. Músicos de cidades diferentes, que quando se encontram a sintonia entre eles é natural e o repertório sendo moldado ao vivo. O samba é das antigas, aqueles de qualidade. Se você tiver pedidos, pode ficar a vontade pra fazer. Música autoral é sempre muito bem vinda na roda. É músico e foi lá pra prestigiar: logo você está na roda tocando. Foi só pra prestigiar? Em questão de minutos você está sambando ou cantando ou batendo na palma da mão ou ainda fazendo tudo isso. É uma coisa de energia, de pele, é natural.
Não dá pra se segurar. Não dá pra ficar parado. Não tem como não se encantar.   
Umas horinhas de muito sol e calor e a chuva resolve cair. Problema? Nenhum! A gente interpreta como sendo benção do céu. Espera um pouquinho e pronto. A chuva cessa e a gente continua.
Molhado mesmo. O chão agora não levanta mais poeira. A terra batida não deixa poças. A energia foi revigorada. O samba veio com o dobro de empolgação. E a noite não poderia ficar melhor: a lua deslumbrante, branca e cheia como gosta São Jorge ilumina o terreiro, a música de Zeca Pagodinho – Minha Fé, todos abençoados e radiantes pelo espetáculo que acabou de se ver e sentir.

Mais uma vez eu vejo, vivo e posso falar das coisas simples e boas da vida: espírito de boemia, boa música, família e amigos, amizade e o respeito com o samba. É isso que se chama samba. É disso que eu venho falando! 
Ô sorte a nossa!!!

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