sábado, 30 de maio de 2009

Mestre Délcio Carvalho e seu amigo "Luizinho"


Abaixo um texto enviado carinhosamente pelo Mestre Delcio Carvalho feito ao amigo Luiz Carlos da Vila, ou como carinhosamente o chamava "Luizinho"

Na foto Mestre Delcio Carvalho e Luiz Carlos da Vila

ADEUS, LUIZINHO ADEUS, FRANCO,ADEUS
Desencarnou o amigo, dedicado e grande compositor popular, Luiz Carlos da Vila. Com ele fecha-se o ciclo de um grande poeta e abre-se a pergunta: porque o artista do povo não tem acesso à grande mídia? Por que tem que ficar restrito aos guetos, ignorados pelos cardeais, pelos inventores e pseudo donos do samba? Se prestarmos atenção, perceberemos que falta muito para talentos como o Luizinho, como eu o tratava, chegarem ao devido lugar, às alturas que eles merecem. Tenho um CD com uma música inédita do Luiz, que ele me deu para colocar letra. Tão linda, tão bonita, que toda vez que eu o encontrava dizia pra ele que música e letra deveriam ser dele. Ao que ele me respondia: “você quer me tirar o prazer de ter uma parceria contigo?” Ele se dizia fã de um samba que fiz para o grupo “Lá vai samba” com o mesmo título. Este grupo tinha como integrante o violonista Carlão Elegante, que foi seu vizinho e primeiro professor de violão, além de Jonas do Cavaco, Everaldo Cruz, também no violão, Samuca e Baianinho da Cuíca. Os autores populares têm uma imensa dificuldade de chegar aos altos escalões da mídia, além de ter que virar redondo para cumprir agendas de shows baratos, para ganhar a vida, cantando aqui e ali, quase de graça e às vezes até de graça mesmo. Agora chegamos à era dos bem-vindos projetos, que abriram novas portas e nos dão chance de publicar ou gravar nossas músicas, já que, para se gravar com os grandes nomes, somos barrados e até condenados ao ostracismo pelos “grandes produtores”, que preferem velhos chavões, que fazem sucesso rápido e depois passam e vão pro lixo de nossas memórias, do que as novas vertentes que o samba procura e que o Luizinho tanto buscava. As pessoas não têm idéia do trabalho que dá compor, gravar em estúdio para ter uma boa qualidade, para que possamos sair atrás dos cantores e fazê-los gravar. E já saímos vencidos, pois os grandes cantores, os que nos dão algum retorno monetário, já têm os seus cupinchas, que fazem, bem ou mal, e já têm suas faixas certas nos CDs. Aí, quando a bolachinha é lançada, é que se nota a série de bobagens e as músicas de qualidade duvidosa que se grava. Com certeza estou ressalvando as exceções. Algumas vezes os “grandes produtores” procuram salvar suas produções fazendo com que se regravem grandes sucessos de antigamente. São antigos, mas têm qualidade e, por isso, sobrevivem. A grande saída são mesmo os projetos e não podemos nos esquecer da nova geração de intérpretes que estão chegando para ficar. Estes jovens gravam pela qualidade, sem nenhum preconceito. Estão surgindo verdadeiros astros que me dá prazer de citar os nomes de alguns: Ana Costa, Mariana Baltar, Marina de La Riva, Roberta Sá, Moyseis Marques, Lucio Sanfilippo. Verônica Ferriani, Giana Viscardi... que me desculpem se estou esquecendo alguns nomes. São jovens com outra mentalidade e estilo, que estão dando força aos que têm valor. Creio que em pouco tempo a música popular brasileira terá maiores avanços, longe dos vícios. Não podemos nos esquecer da formação de novos públicos, que acompanham estas novas e brilhantes estrelas, vibrando e cantando tudo. Tudo muito diferente do que é o nosso meio até agora, cheio de perversidade, um querendo derrubar o outro, a mania de deturpar os fatos. Até hoje ainda existem muitos que não sabem que quem trouxe a esquecida Ivone Lara (esquecida, na época, até pela sua escola do coração, Império Serrano) para o meio musical, fui eu. Hoje, fazer samba com Dona Ivone é fácil. No começo, na época da dureza, ninguém ia lá em cima (Inhaúma) fazer música com ela e trazê-la para cá. Os meios de comunicação só escutam o que interessa para alguns. O outro lado fica de fora sem ter o direito de contar a verdadeira história, e assim se desvirtua o passado e se constrói um presente/futuro mentiroso e manipulado. O compositor popular de talento tem que se virar – pintar quadros, escrever sobre botequins e biritas para ter acesso à mídia, quando nada, tornar-se produtor e comandar os coitadinhos dos menos favorecidos. Outro dia, morreu o Toco da Mocidade, outra admiração do Luizinho. Nem uma homenagem da Escola de Padre Miguel, sua escola, ele teve. Tantos sambas-enredos belíssimos e, na hora de prestar a última homenagem... se não fossem os admiradores, amigos e parentes, seria mais um indigente. Outro que se foi – o Franco. Em vida, o parceiro já não citava o nome, agora que se foi é que ninguém fala. Grande letrista, grande amigo, grande figura. Um ser humano de um coração transbordante de bondade. Eu, pelo menos eu, tenham certeza, não os esquecerei. Eram todos meus parceiros queridos. Enfim, vida que segue. Vamos lá, gente, correr atrás dos projetos, salvação de nossas lavouras. O Luizinho da Vila era um dos que levantavam meu astral na hora do desânimo. Que Deus o tenha e lhe dê a acolhida merecida no cast dos grandes artistas deste Brasil, que ele valorizou com seu talento.
DELCIO CARVALHO


Mestre Délcio que estas palavras sirvam de estímulo à todos que ainda buscam manter viva a chama de seu espírito Projetista, nós lhe somos gratos pela contribuição. por Fabio

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