terça-feira, 25 de maio de 2010

Novos trilhos? "O carnaval está mudando..." por Luiz Fernando Reis


Logo após o Carnaval de 2010 ficou no ar uma pergunta que se espalhou por todo o mundo do samba. Vou repetir essa dúvida: - Esse carnaval da Unidos da Tijuca e o estilo do carnavalesco Paulo Barros mudarão a cara e a característica do carnaval carioca?
A todos que me fizeram essa pergunta respondi dessa forma: - Eu acho que não. O estilo do carnavalesco Paulo Barros é estritamente pessoal e, por isso, intransferível. É um estilo diferente do proposto pelo mestre Fernando Pamplona, aceito e acatado por todos. É também um estilo próprio e bastante diferente da nova roupagem de Pamplona que o grande mago João Jorge Trinta fez e a exemplo do mestre também foi seguido e tornou-se o padrão de nossos desfiles. Um outro gênio e para mim o maior de todos os nossos carnavalescos - O grande Fernando Pinto deu sua roupagem pessoal à escola "pamploniana".
Outra artista que deu sua personalidade foi a Maria Augusta Rodrigues que nos ensinou que o carnaval pode ser livre, leve, colorido e solto. Mas não consigo ver o genial e criativo Paulo Barros como um novo Pamplona, ou como Joãozinho, Fernando Pinto ou Maria Augusta.
Ele não criou uma nova escola de carnaval. Ele apenas massificou e deu um toque muito pessoal a um estilo que o bom Oswaldo Jardim começou a ensaiar, mas a sua morte prematura não deixou que ele o lapidasse e lhe desse o gigantismo, a grandiosidade e o sucesso que Paulo Barros conseguiu.
Não quero dizer que o Paulo tenha imitado, mas captou, muito bem, a idéia e o faz de forma irretocável. É muito hollywoodiano? Com certeza, é. Mas é muito bom de se ver, de curtir e apreciar o belo show que ele nos proporciona. E a resposta que o carnaval deu a isso foi um campeonato legítimo, aceito e respeitado por todas as demais escolas de samba.

Mas será que todo esse show vai ficar por isso mesmo, ou isso terá conseqüências para o nosso carnaval? Eu acho que trará conseqüências. Não que o estilo Paulo Barros deva ser seguido, não vejo seu estilo como uma nova faceta de nosso carnaval. É o jeito e a cara dele fazer carnaval. E quem o seguir será uma cópia vergonhosa será uma imitação barata.
Percebo, numa análise muito pessoal, que o carnaval da Unidos da Tijuca e o vice campeonato da Grande Rio mexeu com a forma de se olhar a arte carnaval. Se antes eram as volutas, barrocos, arabescos e rococós que nos enchiam os olhos. Hoje não é mais. Se antes o luxo, o clássico requintado e as fantasias volumosas nos traziam a emoção de um carnaval. Hoje não trazem mais. Eu considero que a coisa caminha para o simples, para a fácil leitura e para um imediato entendimento. O luxo pelo luxo, em alegorias e fantasias, sem uma adequada leitura já não engana ninguém, nem o julgador e nem o grande público.
Os enredos não podem mais ser viagens maionésicas, daquelas que não se diz nada, não se conta nada e não se vai a lugar algum. Esse povo já não quer mais ser enganado. Ele quer entender, quer compreender o que está acontecendo na sua frente. Ele quer entender o enredo, o samba, as fantasias e alegorias. Ele quer ver a fantasia do casal de Mestre sala e Porta Bandeira e a compreender. Ele quer acompanhar a comissão de frente e sacar o seu significado dentro do enredo. Ele que ver o rodopiar das baianas e o batucar da bateria com os pés no chão e não num louco devaneio.
Quando o povo entende, ele aplaude e se emociona. Quando o julgador entende, sem precisar recorrer aos manuais e Abre Alas, ele aplaude e se emociona e é impulsionado a dar boas notas.
Aquela lenda indígena ou aquela lenda africana da princesa escrava que se tornou rainha é tão bonita de se ler, mas já tá ficando chata e enfadonha como enredo de escola de samba. E passam 80 alas de índios ou umas 70 de africanos, todas as fantasias e alegorias criadas com capricho e carinho, mas são apenas devaneios de quem as cria. E a gente olha e até acha bonitinho, mas se cansa na terceira ou quarta ala ou alegoria. E como o samba já não é mais descritivo, na verdade, a gente acaba por não entender nada de nada. Sinceramente esse tempo já passou.
Aquela alegoria gigantesca ornada em arabescos prata e ouro, emoldurados de aljofres, galões e paetês, aquelas composições em queijos simétricos e num crescer de alturas terminando num destaque qualquer, rico e belíssimo, mas que pode passar em qualquer outro enredo, já não emocionam, já não nos alegra como outrora acontecia.
Aqueles enredos fajutos, chinfrins, sem mensagem e sem nada a oferecer, que mais parecem criados para cumprir tabela, já não cabem mais no maior palco de carnaval do mundo.
Que as escolas pensem bem em seus próximos enredos e que desrespeitem uma máxima que o futebol nos ensinou: "Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube ". Mas em escolas de samba, enredo e samba enredo não podem ser escolhido por apenas um nome, um dirigente ou mesmo o presidente da escola. Eles precisam ser analisados, debatidos e avaliados por um colegiado, por uma comissão de carnaval.
Um enredo autoral mal pensado se torna pior que um enredo patrocinado. Gostaria muito de saber a opinião de nossos leitores-comentaristas. Entendo que esse papo pode gerar um bom debate entre nós. Essa foi apenas a minha opinião e gostaria muito de ouvir outras opiniões.
por Luiz Fernando Reis do site SRZD
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