quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Papo de Teleco Teco: A importância dos Blocos afros baianos e o disco do Olodum


Os blocos afros baianos são um dos maiores exemplos de resgate da cultura afro-descendente de Salvador. Fundados em uma época que os negros tinham dificuldade em assumir sua condição racial em função das imposições da ditadura (anos 70), onde qualquer manifestação cultural e política que fosse contra o poder dominante era questionada pelo sensor, estes blocos surgiram trazendo por trás de seus tambores e indumentárias toda influência negra contida na Bahia. Tais blocos carregam em suas apresentações além das influências dos orixás, trabalhos ligados a organizações sociais que buscam inovar e trazer um pouco mais de esperança aos seus frequentadores. Um dos primeiros e mais influentes blocos afros foi o Ilê Ayê, onde Paulinho Camafeu sintetizou muito bem sua importância através da música "Que bloco é esse" logo abaixo.

Que bloco é esse
Paulinho Camafeu

"Que Bloco é esse"


Eu quero saber
É o mundo negro
Que viemos cantar para você
Branco se você soubesse
O valor que o negro tem
Tu tomava banho de piche
Pra ficar negro também
Não lhe ensino minha malandragem
Nem tão pouco minha filosofia
Quem dá luz a cego
É bengala branca de Santa Luzia
Que bloco é esse


Eu quero saber
É o mundo negro
Que viemos cantar para você
Somos crioulos doidos


Somos bem legal
Temos cabelo duro
Somos Black Power"

Alguns blocos baianos deram origem a grupos musicais muito famosos não só no Brasil como no exterior, são os casos da Timbalada, Ilê Ayê e Olodum que devida a forte influência que conseguiram conquistaram personalidades internacionais como o cantor pop star Michael Jackson. Pesquisadores atribuem também aos grupos afros a própria revitalização do Pelourinho , que por volta dos anos 70 era considerado refúgio de cafetões, pequenos ladrões, prostitutas e traficantes; mas com a influência destes grupos, que priorizavam a auto-disciplina, auto estima e educação dos seus associados conseguiram, mesmo que indiretamente, influenciar a reconstrução da própria imagem do Pelô, local onde grande parte de suas apresentações aconteciam. Infelizemente hoje uma grande maioria de blocos afros sofre com a falta de apoio para seus desfiles, tendo na maioria das vezes, para não extinguirem captar recursos dentro da própria comunidade.


Conforme alguns organizadores afirmaram em entrevistas, parece haver um certo receio da iniciativa privada patrocinar propostas deste tipo, talvez pelo fato de irem mais ao encontro de trabalhos sócio-construtivos dos quais talvez não deêm o proposto retorno a sua "imagem" mercadológica. Abaixo um trabalho de um dos mais influentes blocos baianos em atividade na Bahia, afinal Olodum é Papo de Teleco Teco.

Olodum - Roma Negra - 19961 Bora bora (Argeu Portela, Germano Meneghel, Wesley, Marquinhos Marques)2 Doce criatura (Jorge Zarath, Dito)3 Bole, bole (Reni Veneno)4 Toca telefone (Marquinhos Marques)5 Mundo cão (Reni Veneno)6 Reconvexo (Caetano Veloso)7 A brisa do mar (Tuche)8 Melodia swingueira (Sandoval, Silvio Almeida, Jucka Maneiro)9 Mar lagoa (Lula Novaes, Fernando de Itapoã, Roque Dias)10 Pot-pourri: Canto sublime (Betão) Esperança (Betão) Quais os pensamento (Ademário-Beto Jamaica) Olodum divindade (Tatau)11 Olodum gaivota (Zenilton)12 Marinheiro ao mar amar (Bira Cachoeira, Gibi)13 Violeiro tocador (Valmir Brito, Roberto Brito, Jô Nascimento)14 SSA Bahia (César Mayko, J. M. Cabelinho)15 Smile (Parsons, Chaplin, Turner)



Atenção: Este link encontra-se na Internet através de blogs e não é de responsabilidade do Ecos do Teleco Teco devendo ser deletado de seu micro no período máximo de 24 horas.Recomendamos que adquiram o cd na intenet através de sites como http://www.buscape.com.br/ ou similares preservando os direitos do ator)
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2 comentários:

  1. Parabéns pelo post Fabão! Um outro belo cortejo do carnaval de Salvador, com mais de 60 anos de existencia, é o Afoxé Filhos de Gandhy. São mais de 10.000 homens que formam um tapete branco na avenida, ritmados pelo som do agogô e pelo culto à paz. Grande Abraço!

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  2. JOCA CURUMIM - PAGODE DO ZÉ FULANETO
    Tamanho do arquivo: 3.04 MB

    http://www.megaupload.com/?d=YRYLZ1FS

    Disponibilizo para download a música que o Joca lutou tanto para conseguir compor e mais ainda para conseguir gravar, entre uma coisa e outra houve uma burocracia danada pra registrar no ECAD.

    Joaquim Carlos Pires Maciel, conhecido pelos amigo como Joca, nasceu em Santa Mariana (PR) em 29 de outubro de 1964, ano do Golpe Militar.
    Aos quatro anos de idade (1968) muda-se para Osasco (SP), com sua família, pai, mãe e dez irmãos.
    Em 1972 mudam-se para Barbalha (CE), onde aprendeu quatro lições cruciais para o desenvolvimento moral, espiritual, artístico e crítico, ler, escrever, fumar e beber pinga.
    Em 1974 retorna para São Paulo em 1979 voltam para o Ceará.
    Neste período trabalha como metalúrgico na Lapa.
    Em 1980 volta pra São Paulo, em 1981 vai para Abreu e Lima (PE) e neste mesmo ano retorna à São Paulo onde fica até 1984, quando retorna para sua terra natal.

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A música pulsa como um Eco, estes sons meus amigos são os nossos teleco tecos que vibrantes pulsam igual nossos corações, valeu o comentário!!